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Salas de música são um refúgio para relaxar Ambientes para entrar nas melodias de corpo e alma são cada vez mais comuns dentro de casa

Joana Gontijo - Lugar Certo

Publicação: 12/08/2011 10:29 Atualização:

Compor o local para curtir um som ou praticar um instrumento exige atenção a detalhes (Gustavo Xavier/Divulgação)
Compor o local para curtir um som ou praticar um instrumento exige atenção a detalhes
Curtir uma melodia bonita, adentrar no mundo das sensações despertadas por uma composição harmoniosa, pesquisar sobre o estilo de que mais gosta. Vivendo em uma rotina cada vez mais intensa, ter um local para passar bons momentos de prazer pode ser fundamental. Como um refúgio, cresce a tendência de ter uma sala de música dentro de casa. Para quem trabalha com isso ou para simples amantes do som, esses ambientes oferecem a oportunidade de atingir novos planos para depois retomar um dia a dia renovado e mais alegre.

Para os arquitetos Dante Lapertosa e José Alberto Figueiredo, esta sala pode ser um ambiente para se ouvir música, com equipamento de som, tratamento acústico, iluminação adequada, mobiliário confortável, um local para se isolar do mundo e entrar no som de corpo e alma. “Mas, pode ser também o ambiente do profissional, onde ele toca o seu instrumento, recebe amigos músicos ou pessoas que gostam de ouvir música com exclusividade, sem interferências externas, de qualidade”, dizem. Como explicam os arquitetos, é muito interessante que a decoração da casa tenha uma unidade, uma relação entre os ambientes, mas nada impede que a sala de música seja algo completamente diferente do contexto, que seja um refúgio, como se mudasse de patamar.

No caso do espaço para o músico, fica o destaque especial para o instrumento que ele toca. “Os instrumentos não devem pousar sobre piso frio, podem estar sobre tapete, madeira. É necessário tratamento acústico, não só para melhorar a qualidade do som como isolá-lo do restante da casa. São necessárias estantes para as partituras, álbuns, papeis, um teclado para auxiliar nas composições, assim como computador, impressora, etc. A iluminação deve ser pontual sobre os instrumentos e a partitura, colocada de maneira a não incomodar o músico. O restante é para criar um clima agradável, repousante, tirando partido dos quadros e objetos. Para isto e também para o projeto de sonorização, igualmente fundamental, existem excelentes lojas que executam bons projetos”, pontuam Dante e José Alberto. Eles frisam ainda a presença de aparelho de TV ou telão, de acordo com o tamanho do ambiente e a distância do observador. “Espera-se para uma sala de música um clima de introspecção, aconchegante, com um toque de classe. Nós aconselhamos cores neutras para que não haja interferência na emoção da melodia”.

O gênero escolhido para a decoração está absolutamente ligado ao dono do espaço, continuam os arquitetos. “Você pode criar um ambiente inteiramente contemporâneo, ou de ares tradicionais, voltar um pouco no tempo ou até avançar, sem comprometer o bom gosto, sem deixar de estar atual e tecnicamente perfeito”. Segundo a arquiteta e designer de interiores Denise Barretto, a tendência de ter uma sala de música em casa ganha força na medida em que se busca lazer, que, para ela, está cada vez mais indoor. “As pessoas acabam optando por espaços diferenciados em função das horas que têm livres. Com o problema da urbanização, a falta de segurança nas ruas, estão mais voltadas para dentro de casa. Quem tem uma sala de música está buscando aquele momento de relaxamento, para curtir o hobby, mesmo que não seja um profissional da área”.

Para Denise, o estilo da sala de música vai depender do restante da decoração, com as cores em harmonia, entre outros elementos. Como destaca, o importante é que se tenha conforto, com boas poltronas e também uma área de pesquisa, para buscar músicas na Internet, catalogar o acervo, além de uma estante para guardar os CDs, DVDs, vinis (para quem ainda coleciona), e o próprio aparelho de som. “Para isso tudo, é preciso que se tenha uma bancada, uma mesa, até para trabalho nos casos de fazer composições próprias”. Em relação aos equipamentos, Denise diz que cada um escolhe o que mais lhe serve dentro do que está disponível no mercado – caixas, alto-falantes, microfones, fones de ouvido, amplificadores, entre outros. “A acústica neste espaço é fundamental, para que o som saia sem ruídos e sem interferência. Para isso, é preciso controlar tanto a absorção quanto a propagação das ondas sonoras. Normalmente, trabalhamos com materiais para rebater o som nas costas e na parte frontal de onde o aparelho está instalado, como placas de madeira. Já nas áreas laterais, é indicado o uso de revestimentos almofadados cobertos por tecido ou couro furado, para absorver o som e deixá-lo mais limpo. A atmosfera de um ambiente como este é sempre mais intimista, com iluminação mais baixa, quente, dimerizada”, orienta Denise.

COMPOSIÇÃO

No ambiente Estúdio do Maestro (foto), projeto de Dante Lapertosa e José Alberto Figueiredo para a Morar Mais por Menos do ano passado, o piano reina quase no centro da sala, sobre um tapete paquistanês bem espesso, que compensou a altura do pé direito de seis metros, com telhas aparentes em chapa. As cortinas muito altas também auxiliaram na acústica. Um biombo de quatro folhas em espelho, nada bom para a acústica, também foi compensado com a textura das paredes. “Usamos uma grande estante em madeira de canto e a mesa do maestro com partituras e objetos do mesmo material, como se fosse o canto da criação. Criamos um pequeno estar voltado para o piano, composto de sofá, pufes em kilim persa, uma super poltrona de couro preta e três mesas ninho coloridíssimas. Na verdade, não utilizamos nenhuma peça de estilo, mas o tamanho do pé direito, as janelas neogóticas altíssimas, os três lustres de cristal modernizados pelas cúpulas em tecido e o próprio piano sugeriram um espaço romântico com um toque suntuoso, onde dá vontade de ficar e ouvir música”, completam os arquitetos.

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